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Sucot 5787
Há celebrações que terminam. E há celebrações que criam raízes.
Nosso Sucot de ontem foi uma delas.
A todos que estiveram conosco, o nosso mais sincero todá rabá. Cada presença, cada abraço, cada alimento compartilhado e cada gesto ajudaram a transformar esse encontro em um momento muito especial para a nossa comunidade.
Na drashá que nos preparou para Sucot, o Rav Pablo Schejtman nos lembrou de algo essencial: em uma comunidade pequena, ninguém é apenas espectador. Cada pessoa ajuda a construir a festa. Ela existe porque as pessoas vêm, participam e permanecem juntas.
E nos trouxe uma imagem que ontem ganhou forma diante dos nossos olhos.
Em Israel, Sucot chega no outono, no tempo da colheita. Aqui, em Maringá, celebramos na primavera — tempo de preparar a terra e plantar.
E o que plantamos como comunidade?
Plantamos nas crianças que aprendem. Nas famílias que chegam. Nas tradições que transmitimos. Nos vínculos que construímos. Na esperança de que aquilo que recebemos continue vivo nas próximas gerações.
Como disse o Rav Pablo, “uma comunidade pequena é uma lavoura em crescimento.”
E talvez nenhum símbolo pudesse representar melhor essas palavras do que a árvore de Etrog ao lado da qual celebramos ontem.
Ela não pertence à Beit Tikvah. Mas carrega um pedacinho da nossa história.
Anos atrás, uma semente de um Etrog utilizado em uma de nossas celebrações de Sucot foi plantada naquele lugar.
A festa passou. As pessoas voltaram para suas casas. O tempo seguiu seu caminho.
Mas a semente ficou.
Criou raízes. Cresceu. Tornou-se árvore.
E, anos depois, voltamos para perto dela para celebrar novamente Sucot.
Talvez seja essa uma das imagens mais bonitas do que estamos construindo juntos na Beit Tikvah — nossa Casa da Esperança.
Nem sempre veremos imediatamente os frutos daquilo que plantamos. Mas cada encontro, cada tradição preservada, cada criança que participa, cada família que se aproxima e cada pessoa que decide estar presente deixa uma semente.
A própria sucá nos recorda que esperança não significa ter todas as certezas. Como nos ensinou a drashá, no deserto nossos antepassados tinham uma morada frágil e uma promessa. “A tikvah mora em gente que fica junta debaixo do mesmo teto de folhas.”
Ontem estivemos juntos.
Celebramos. Rezamos. Comemos. Sorrimos. Cumprimos nossa mitzvah. E, de alguma maneira, também plantamos.
Que um dia possamos olhar para aquilo que estamos construindo hoje como olhamos para essa árvore de Etrog: reconhecendo nas suas raízes a história daqueles que vieram antes e, nos seus novos ramos, a promessa daqueles que ainda virão.
Todá rabá a todos que fizeram parte deste Sucot tão especial.
Que a nossa Beit Tikvah continue sendo aquilo que seu nome anuncia:
uma Casa de Esperança. Uma comunidade que cria raízes. Uma tradição que continua florescendo.
Chag Sameach! 🌿🍋